Normal da Face Norte (Setor Face Norte)
4º V D1 E2
Modalidade: tradicional
Tipo de via: principal
Face: norte
Tipo de escalada predominante: agarras
Extensão: 104 metros
Descrição: Via com 4 enfiadas e proteções fixas em grampos "P" e chapeletas feitas de cantoneiras. A 2ª enfiada é sem proteção fixa, mas admite proteção móvel. São necessárias 2 cordas de 50 m para o rapel. É possível, mas não recomendável, apenas 1 corda de 60m ou 70m. Neste caso, necessário desescalar e abandonar equipamento. Opcionalmente, podem ser utilizar 2 proteções móveis médias.
1ª enfiada: 34m - IV - a via inicia olhando para um pequeno diedro/ fenda com um parabolt enferrujado à direita desta, a uns 6 metros da base. Dá para laçar este com um cordelete para usar como primeira proteção, reduzindo a exposição se for diretamente até o primeiro "P" que está uns 3m acima. A linha segue levemente para a esquerda com mais duas proteções fixas tipo cantoneira, distantes cerca de 5 a 6 m entre si, antes da parada P1. Esta parada tem um "P" e uma cantoneira. Se for rapelar desta parada, deve ser abandonado algum equipamento, como por exemplo uma malha rápida, para seguir a recomendação de rapelar em no mínimo duas proteções fixas.
Possível emendar com a segunda enfiada pois esta não tem proteção fixa até a segunda parada, no platô do eucalipto, principalmente se não possuir proteção móvel.
2ª enfiada: 28m - IV - da P1, domine um balcão, faça uma travessia à esquerda até um trecho exposto, onde você encontrará dois grandes blocos empilhados. Ali, na base dos blocos, se tiver, pode usar uma proteção móvel tamanho médio com uma fita longa. Domine os blocos com cuidado e siga numa rampa positiva em diagonal à esquerda, em direção ao eucalipto, no platô, com parada dupla. São 28m tendo como proteção a peça móvel e muitos platôs para bater caso aconteça uma queda. Esta enfiada cruza com outra via. Dá para ver a parada dupla com duas proteções em aço inoxidável.
3ª enfiada: 25m - IV - esta enfiada tem apenas duas proteções fixas. A primeira distante uns 10 m é um 'P" e a segunda, mais uns 6m, é uma cantoneira. Saindo do platô do eucalipto, siga uns 5m na horizontal à esquerda e comece a subir reto uns metros até seguir em diagonal à esquerda passando por pequenos platôs (relatos de cobra nos platôs intermediários) e uma grande laca suspeita que deve ser evitada ou usar pouca força e não puxá-la para fora. A parada P3 tem duas cantoneiras.
Possível emendar com a 4ª enfiada, use fitas longas para reduzir o arrasto.
4ª enfiada: 17m - V - saindo da parada P3, entre numa canaleta à esquerda e prepare-se para o trecho mais exigente da via, um pouco aéreo, mas relativamente bem protegido. Siga 4 proteções em linha reta e depois, numa diagonal à esquerda, passando pela 5ª proteção antes de chegar à parada dupla P4. O final desta enfiada é o trecho mais bonito da via e bem aéreo. A parada dupla tem um excelente visual do vale do arroio Pinhal, Galópolis e os prédios da cidade ao fundo.
Descida por rapel, recomendado com duas cordas de 50m. Dois rapéis, primeiro de 35m da P4 à P2, e segundo de 50m da P2 ao chão. O primeiro em diagonal, exigindo alguns movimentos em agarras e pequenos pêndulos até cruzar uma canaleta com algum mato e, em seguida, chegar ao platô do eucalipto, rapelando então as duas últimas enfiadas. Mantenha a corda fixa na parada do eucalipto para facilitar os próximos a descerem. Cuidado ao puxar a corda! É necessário caminhar um pouco à esquerda no platô devido ao atrito, mantenha-se protegido! O próximo e último rapel é descendo reto da parada do eucalipto, cerca de 50m, até a base da parede. Dali, por trilha, uns 15m em travessia até a trilha principal da "Norte".
Não recomendável, mas possível, rapel com apenas uma corda pela própria vida. Comprimentos de 35 m da P4 à P2; 28 m da P2 à P1; e 33m da P1 ao chão. Importante lembrar que na P1 tem que abandonar algum equipamento para seguir a recomendação de nunca rapelar de apenas 1 proteção.
Cuidado na descida da trilha com trechos de escalada/desescalada de II° grau.
Histórico da conquista, por Juliano Perozzo, 2019:
"Acho que era fim dos anos 90. O Mauro, o Guila e o Rica me convidaram para uma conquista na Face Norte. Quem não quer guiar... Entrei numa rampa perfeita, agarras, aderência, proteções fixas a cada 5 metros em média e a parada, a 25m acima da saída. Este trecho chegou a chamar-se "jumaquilica". Dali, após um domínio de balcão e uma travessia à esquerda, um Friend abaixo de um bloco grande e uma travessia fácil de uns quinze metros em diagonal à esquerda. Chega-se ao platô do eucalipto, na segunda parada. Normalmente são emendadas a primeira e segunda enfiadas até o eucalipto. Em nova investida, após um acampamento na base da parede e construção de dois pequenos platôs para montar as barracas, Cristiano seguiu, do eucalipto, após uma pequena travessia à esquerda e subindo, instalando proteções móveis nas fendas horizontais entre pequenos platôs, até o cume, enquanto Daniel conquistava outra via: o "Paredão Micróbio", em móveis, saindo num diedro na base da "Norte", até a extrema esquerda do platô do eucalipto e instalando uma chapa simples como parada, pois rapelaria da árvore no platô do eucalipto. Mais tarde, em outro dia, O Guego e o Andres, acredito, abriram uma nova linha, mais exposta, vertical, tendo mais duas enfiadas após o eucalipto, que também podem ser emendadas, usando costuras bem longas e um pouco de atrito, e deu origem a linha tradicional, chamada de "Normal da Norte". O rapel é em diagonal, delicado, quase desescalada para chegar ao platô. Recomendo o rapel seguro, com cordelete blocando a corda no freio. A puxada da corda do rapel requer um certo deslocamento horizontal no platô. 2 cordas de 50 ou 60m. 2 rapéis longos até a base, depois uma travessia pelo mato, na base, até a trilha de descida da "Norte". A trilha de acesso à via é passando a bifurcação da estrada uns 50m, com marcações em sacolas plásticas e fita zebrada, subindo, chegando até o platô das barracas. Em travessia à esquerda, entra na parede limpa, para cima, como um Boulder (tem até um grampo para emergência), subindo em trilha ascendente forte até a base das paredes. A primeira proteção é um chumbador sem chapa, quase desnecessário, e depois as proteções fixas, cantoneiras, grampos e chapeletas convencionais."
Fonte: https://sites.google.com/view/paredaodavilacristina/setor-face-norte
Equipamento mínimo necessário:
- 2 cordas de 50 m para o rapel
- 8 costuras
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